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Procura por vazios estruturados


Os aproximadamente 313 km² de área de Fortaleza parecem poucos para abrigar os anseios gerados pelo bom momento do setor imobiliário. Bairros que antes eram apenas "de periferia" ganham nichos populacionais organizados
07 Nov 2009

"Para onde Fortaleza cresce?" A pergunta, que não é nova, tem agora uma resposta mais abrangente tendo em vista o fortalecimento da construção civil. Não é correto dizer que, nesse momento, a cidade cresce apenas ``para o lado das Seis Bocas``. Mesmo sem um planejamento urbano, a Capital tem crescido rápido em bairros onde há disponibilidade de terreno com boa infraestrutura. Isso inclui locais que até bem pouco tempo eram apenas ``periferia`` como Messejana, Passaré, Castelão, Mondubim e Maraponga.

Na companhia de cinco corretores, O POVO visitou empreendimentos em construção nesses cinco bairros. O perfil das moradias, destinadas à ``nova classe média`` com renda até dez salários mínimos, é o mesmo: condomínio fechado, dúplex ou casas planas, com área entre 60m² e 80m², preço que varia de R$ 99 mil a R$ 130 mil. Os corretores foram unânimes em dizer que todo dia tem venda de casas nessas áreas e que o aumento da procura tem refletido na valorização de terrenos e imóveis usados. Nos empreendimentos visitados, poucas unidades disponíveis para a venda. No condomínio na Maraponga, todos os imóveis já estão vendidos faltando mais de um ano para a entrega das chaves. Uma curiosidade é que alguns corretores ``vendem`` o Mondubim como "o bairro em que a prefeita nasceu``.

"As construtoras estão colocando potencial, comprando e fazendo loteamentos seguros com 20, 30 casas, não pelo bairro, mas pela infraestrutura que ela coloca. O nome bairro pode até vir em segundo plano. O mais importante é segurança e lazer. As construtoras têm que explorar as potencialidades de bairros -virgens-, porque no resto da cidade os terrenos estão escassos``, diz Osmar Delboni Júnior, professor de Avaliação Imobiliária do Centro de Treinamento e Desenvolvimento (Cetrede) da Universidade Federal do Ceará (UFC). ``Na avaliação tem que ver não apenas o imóvel em si, mas todo o seu entorno: transporte público, escola, supermercado, igrejas. Tudo que cerca agrega valor. Bairros violentos, perto de favelas, por exemplo, têm baixa no preço``, explica Armando Cavalcante, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis no Ceará (Creci-CE).

Outro lado
A cidade cresce também em bairros como Edson Queiroz, Sapiranga, Sabiaguaba e Lagoa Redonda. No lado leste da cidade estão as principais apostas de valorização dos imóveis. Em alguns desses bairros, existem amplos terrenos nas mãos de poucos donos. ``Perto do Centro de Convenções, por exemplo, tem muito terreno na mão de uma ou duas pessoas que acabam vendendo pelo preço que querem. Então nessa área o empreendimento tem que ser muito luxuoso para compensar o preço do terreno``, avalia Roberto Sérgio, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Ceará (Sinduscon) complementando que ``lamentavelmente a entorno da avenida Washington Soares custavam metade do preço de um terreno na Praia do Futuro. Hoje custam cerca de dez vezes mais do que na praia, estigmatizada pelo excesso de maresia.
(Dalviane Pires)
 

 
 
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