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Papicu vive euforia imobiliária

24/2/2010

De paraíso ecológico, o bairro se transformou em, predominantemente, residencial, tomado por arranha-céus

Uma verdadeira imensidão de dunas, que se estendia desde o que é atualmente conhecida como a Avenida Pontes Vieira até a Praia do Futuro. Essa visão de paraíso também incluía o rio Cocó, as lagoas do Gengibre e a que deu origem ao nome do bairro: Papicu.

Contudo, não demorou muito para que esse luxo da natureza sucumbisse à ocupação desordenada e sem um perfil claramente definido para um bairro. Daí que, para lá, convergiram, desde a década de 1960, o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), a cervejaria Astra (depois comprada pela Brahma) e o conjunto habitacional Cidade 2000. Por fim, assumiu características de um lugar predominantemente residencial.


Fique por dentro
O apelo do verde

O fenômeno que explicaria a grande movimentação imobiliária no Papicu estaria, sobretudo, no apelo do verde. A aproximação com o Parque do Cocó implica numa valorização do metro quadrado, que tem se aproximado de valores das demais áreas nobres da cidade. De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis (Secovi-CE), Sérgio Porto, o que mais chama a atenção no bairro é o descontrole na ocupação, permitindo que grandes espaços influenciassem de forma singular a comunidade local. Embora haja uma predominância de construções com fins residenciais, houve também uma expansão da oferta de serviços e comércios, fazendo com que o lugar se tornasse ainda mais atraente para diferentes segmentos sociais. Para Sérgio Porto, a grande preocupação é que sejam resguardadas normas de ocupação do solo

MERCADO
Equipamentos são atrativos para a expansão do bairro

Dentro da mobilidade natural das capitais, tendo como motor o setor imobiliário, o Papicu foi favorecido por estar próximo ao bairro Aldeota e com os grandes espaços vazios. Curiosamente, houve uma desordem inicial sobre que perfil o bairro assumiria ao longo da sua história.

Uma das primeiras edificações foi a sede do Hospital Geral de Fortaleza, construída ainda na administração do presidente João Goulart, em 1961. Em meados da década de 1970, instalou-se a cervejaria Astra, que, hoje, ficou reduzida a um conjunto de prédios em ruínas.

Daquela época, os moradores mais antigos lembram que foi a Cialtra a primeira empresa de ônibus a interligar o HGF (antes denominado de INSS) a outros pontos da Capital cearense. A Lagoa do Gengibre não havia sido soterrada, e o Papicu era contornado por uma densa vegetação e protegido por dunas gigantescas.

O bairro tanto poderia ter se projetado para ser industrial - em vista da cervejaria, que permaneceu em atividade até a década de 1980 - quanto de serviços, por conta da infraestrutura organizada, que foi sendo implementada nos últimos 30 anos.

Habitação

Também na década de 1980, conforme ressalta Nirez, foram inauguradas as primeiras quadras do Conjunto Habitacional Cidade 2000. Com ele, houve a disseminação de equipamentos urbanos de primeiro ordem, como escolas (como a Escola de Ensino Fundamental e Médio Rogério Fróes), postos de saúde, igrejas e praças.

Do que foi no passado para o que é hoje na realidade, pode-se reconhecer, na opinião do memorialista, que o Papicu é uma das áreas que mais cresceram em valores especulativos.

Essa ideia é aceita por quem entende de mercado imobiliário. O presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis (Secovi-CE), Sérgio Porto, explica que o Papicu ficou entre os dez bairros que mais venderam imóveis no ano passado, com uma venda de, pelo menos, 423 unidades. Para se ter uma ideia da movimentação de imóveis na Capital, a Aldeota vendeu 744 unidades; a Maraponga, 684; e a Messejana, 609.

Para Sérgio Porto, a movimentação no Papicu não pode se configurar como uma "febre imobiliária". No entanto, ressalta que há uma euforia facilmente sentida pelo desempenho do mercado local nos últimos cinco anos, quando houve um despertar para os benefícios naturais e os bons equipamentos existentes na área.


Fonte: Diário do Nordeste

 
 
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