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Maior renda amplia velocidade de venda


Volume de vendas de imóveis apresenta desempenho crescente desde 2005. Já a Selic foi gradativamente reduzida


De 2007 a 2008, ren- da per capita cresceu 8,7% e o IVV, 7,78%. De 2008 a 2009, subiram 3,97% e 9,16%, na ordem

O aumento real do salário mínimo, os programas federais de transferência de renda e a própria estabilidade econômica têm ampliado o rendimento per capita e, por conseguinte, a velocidade de vendas dos imóveis na Grande Fortaleza. Dados comparativos do Sindicato da Habitação do Ceará (Secovi-CE) mostram que, de 2007 para 2008, enquanto a renda per capita cearense cresceu 8,7%, o Índice de Velocidade de Venda (IVV) evoluiu 7,78%. De 2008 para 2009, esses indicadores avançaram 3,97% e 9,16%, respectivamente.

Para o economista Jair de Andrade, do Curso de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Ceará (Caen/UFC), o mercado imobiliário no Estado nunca esteve tão aquecido, vendendo R$ 1,4 bilhão em 2009, num desempenho puxado, em grande medida, pela estabilidade das taxas de juros - que impactam diretamente nos financiamentos - e pelo incremento da renda média cearense. "Em 2008, o último ano que temos dados disponíveis, a renda média familiar no Ceará cresceu 11%, contra um incremento de 4,92% para o Brasil. Na Grande Fortaleza, ela avançou 3,97%", comenta.

Ainda de acordo com Andrade, o volume de vendas de imóveis vem numa crescente desde 2005, ao passo em que a Selic foi sendo gradativamente reduzida daquele ano até meados de 2007. A taxa básica de juros da economia está em 8,75% ao ano, nível em que se encontra desde julho do ano passado, sendo um dos patamares mais baixos da história. "A Selic impacta no preço médio dos imóveis e no crédito imobiliário. Assim, com suas sucessivas reduções, o mercado imobiliário cearense experimentou aumento no volume de vendas", explica.

Andrade destaca que, em 2008, o setor de atividade imobiliária experimentou um incremento de 5%, ajudando a alavancar o PIB dos serviços, que hoje são o carro-chefe da economia cearense. "O setor de serviços representa 69,21% do PIB, contra 23,53% da Indústria e 7% da agropecuária. Em 2008, este setor teve incremento de 5,2% no PIB, um salto importante", comenta.

Impacto e crédito

De acordo com o levantamento do Secovi-CE, apresentado por Jair Andrade, o aumento de 1% no preço do imóvel residencial em Fortaleza, em 2009, faria a demanda cair 3,05%. Em 2008, caso houvesse essa majoração de valor, a procura por unidades residenciais sofreria queda de 5,89%. No caso dos imóveis comerciais, para cada 1% de elevação de preço, a retração na demanda seria de 2,57%, em 2008, e de 2,30%, em 2009. "A comercialização de imóveis residenciais é mais afetada em relação ao aumento de preços do que a de unidades comerciais", comenta o economista.

O presidente do Secovi-CE, Sérgio Porto, afirma que o crédito imobiliário tem papel preponderante nos resultados do setor. Embora tenha sido positivo o desempenho em 2009, ele chama atenção para o fato de os recursos ainda estarem concentrados no eixo Sul-Sudeste. "O dinheiro que chega em São Paulo não chega aqui. O Nordeste recebeu R$ 1,641 milhão de crédito imobiliário, sendo que R$ 900 milhões foram para a Bahia. Os demais estados ficaram com o restante. Neste sentido, o Ceará aparece apenas em quarto em crédito imobiliário na região", pondera.


Fonte: Diário do Nordeste

 
 
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