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Velocidade de vendas de imóveis na RMF dispara 78%

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Bairro histórico, Messejana tem se destacado na construção de condomínios duplex
FOTO: TUNO VIEIRA
3/9/2010
Experimentando momento de ascensão, mercado imobiliário da RMF já acumulou R$ 1 bilhão no 1º semestre

A demanda da população de Fortaleza com relação à compra ou locação de casas e apartamentos, assim como salas comerciais, tem surtido efeito não apenas no número de imóveis negociados, mas na rapidez com que são vendidos. Além do crescimento de 44,29% no número de unidades comercializadas no primeiro semestre desse ano - passando dos 2.705 vendidos em 2009 para 3.903 - e do avanço de 38,58% no volume de vendas, que faturou mais de R$ 1,007 bilhão, informação adiantada com exclusividade pelo Diário do Nordeste, o Índice de Velocidade de Vendas (IVV) cresceu 78,44%, estabelecendo-se em 13,46% em 2010. No ano passado, o a taxa era de 7,55%.

O mercado celebrou aumento de 40% no número de novos empreendimentos. Em 2009, foram 25, e, até o momento, em 2010, 35 estão no mercado. O número de unidades chega nesse ano a 3.858, enquanto no ano passado, apenas 2.517 haviam sido lançadas.

Os números fazem parte do balanço divulgado ontem pelo Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis do Ceará (Secovi). A pesquisa mostra que a maior geração de valores em negócios ainda se concentra na Aldeota, Cocó e Meireles. No entanto, bairros como Messejana já se colocam em posição de destaque.

Bairros mais atrativos

Considerado nobre, o Meireles desponta como o bairro com maior movimentação financeira, com volume de vendas superando os R$ 172 milhões. O preço médio do metro quadrado está em R$ 4.367,07. Crescendo acentuadamente, o bairro Cocó aparece em segundo lugar, com R$ 138,82 milhões em vendas. O m² aparece no valor de R$ 4.084,47. A Aldeota vem em seguida, tendo faturamento de R$ 131,61 milhões. O m² custa em média R$ 3.424,41. Outros bairros que se destacaram no balanço da Secovi-CE foram Edson Queiroz e Messejana. A região que engloba referências importantes como a Universidade de Fortaleza, shopping centers e a Av. Washington Soares, teve total de vendas em R$ 71,35 milhões, com valor do m², em média, de R$ 3.591,29. Messejana, antigo bairro de sítios e grandes propriedades, foi outro destaque, vendas em R$ 62,63 milhões, com a média do metro quadrado em R$ 1.839,00.

Financiamentos em alta

Para o presidente do Sindimóveis, José Maria Cavalcante Lima, os bons números do setor números podem ser explicados pela facilidade que o comprador tem em ter acesso ao crédito, muito em função da disponibilização de financiamentos por bancos privados. "Antes apenas a Caixa Econômica Federal oferecia alguma possibilidade à população, mas hoje várias outras instituições financeiras já participam efetivamente desse mercado", analisa.

Para a vice-presidente do Secovi-CE, Maria Lúcia Forti, o grande número de negócios envolvendo imóveis retrata o otimismo do setor para os próximos anos. "Hoje temos um número grande de construtoras. Se nesse ano, até o momento, já acumulamos R$ 1 bilhão, na próxima década poderemos chegar até em R$ 5 bilhões", avalia.

Já o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon), Roberto Sérgio Ferreira, acredita que o boom imobiliário na RMF acontece pela facilidade de crédito tanto para quem compra, como para quem constrói. "Está havendo uma aceleração muito grande. Os bancos estão botando dinheiro no mercado, mas o principal é o financiamento da produção". Sobre a expectativa de mais crescimento, Ferreira não crê em ampliação da taxa de expansão para os próximos anos. "A tendência é de estabilização. Temos que ter os pés no chão", avalia o presidente.

O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Ceará (Creci), Apollo Scherer, diz que, hoje, Fortaleza oferece tudo que o comprador quer.

"Temos aqui variedade de imóveis, seja apartamento, casa, salas de escritório. Também há bastante disponibilidade de financiamento atualmente", observa Scherer.

Otimismo x pé no chão

"Na próxima década, podemos chegar até a R$ 5 bilhões (em vendas anuais)"


Maria Lúcia Forti
Vice-presidente do Secovi-CE

"A tendência é de estabilização (do avanço). Temos que manter os pés no chão"

Roberto Sérgio Ferreira
Presidente do Sinduscon

CRESCIMENTO DE DESTAQUE

Messejana vive momento de efervescência

Os bairros considerados nobres, como Meireles, Aldeota, Cocó e Edson Queiroz, ainda são os campeões em valores arrecadados pelo setor imobiliário na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). No entanto, cada vez mais, outras regiões da cidade vão ganhando valor e recebendo empreendimentos.

Na pesquisa divulgada pelo Secovi-CE, chamou atenção o número de negócios em Messejana e também na Maraponga. Autoridades do setor também citam outros bairros que estão crescendo e chamam atenção para o fator Copa do Mundo 2014. De acordo com o presidente do Sinduscon, Roberto Sérgio, Messejana tem apresentado volume acentuado na construção de condomínios duplex, aproveitando o valor mais reduzido do terreno na região.

"Em termos de quantidade de unidades, Messejana é um dos bairros com maiores números. O bairro tinha uma quantidade muito grande de terrenos estocados, pois era uma região com muitos sítios e isso, aliado a infraestrutura de avenidas, fez com que muita construção fosse realizada lá", analisa.

Leste atrai

Conforme avalia José Maria Cavalcante Lima, presidente do Sindimóveis, outro local que vem caindo nas graças do consumidor cearense é a região leste da cidade, que envolve bairros como Água Fria, Seis Bocas, Lagoa Redonda, Sapiranga, Precabura, entre outros.

"Com o advento da ponte da Sabiaguaba, embora sem ter sido concluída em sua parte final, e alargamento de vias importantes, como a Maestro Lisboa, o crescimento do setor tem sido alavancado para aquelas áreas", avalia.

Usados valorizados

Casas, apartamentos, imóveis em geral usados também são fatia importante no setor imobiliário. O presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis no Ceará (Creci-CE), Apollo Scherer, também considera que esta vertente do comércio de imóveis também está muito boa em toda a cidade.

"É bem verdade que Messejana é um bairro que apresenta um bom volume para novos empreendimentos, mas em relação aos usados toda a Cidade está estimulada. Fortaleza, como poucas cidades, tem um parque de ofertas desconcentrado. Praticamente todos os bairros oferecem opções para o consumidor", avalia Scherer. Bairros como Mondubim, Maraponga, Jacarecanga, Montese e Centro são destacados pelo presidente do Creci-CE como regiões em que o comércio de imóveis está efervescente.

JOVENS COMPRAM
Apartamentos de 2 quartos são mais procurados

O comércio de apartamentos tem sido a principal vertente no mercado de imóveis em Fortaleza. No primeiro semestre de 2010, segundo a pesquisa do Secovi-CE, foi acumulado um total de R$ 936.806.715,00. Destes, as unidades com dois dormitórios tem absorvido a maioria dos compradores, com procura que chegou a 41,29% do total que foi vendido. Os apartamentos com três dormitórios ficaram com 34,22%, seguido pelos de quatro com 21,73%.

A elevada procura por este tipo de imóvel é explicada pelo presidente do Creci-CE, Apollo Scherer, como uma tendência da população na faixa etária de até 30 anos de idade que vem adquirindo o primeiro imóvel.

"A parcela da população jovem adquirindo imóvel tem crescido, além disso também há muitas pessoas que tem a vida pronta, com os filhos casados, por exemplo, e que procuram morar em um espaço menor", explica Scherer. O apartamento de dois dormitórios também tem absorvido boa parte da população pelo menor valor exigido e, dessa forma, está mais inserido na realidade financeira de muitas famílias. "Este tipo de imóvel se enquadra bem na renda de muita gente. Também há muita oferta dele na cidade", afirma.

Casas e salas

O valor acumulado no primeiro semestre de 2010 com a venda e aluguéis de casas, salas médicas e salas comerciais também foi divulgado pela pesquisa do Secovi-CE. Foi acumulado com casas na RMF um valor total de R$ 37.035.234,15. Com salas comerciais, o valor foi de R$ 32.379.685,32. Já para as salas médicas, o montante foi de R$ 353.552,00.

GUSTAVO DE NEGREIROS

REPÓRTER
Fonte: Diário do Nordeste


 

 
 
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