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O volume em vendas de imóveis novos, nos primeiros seis meses deste ano, cresceu 38,58% em comparação ao mesmo período do ano passado. A alta inédita tem origem na maior oferta de crédito e financiamento oferecidos pelos bancos
Luar Maria Brandão -

Márcio Pinheiro vai se casar próximo ano. Tem 27 anos, é contador e, como quem lida com a segurança dos números, resolveu garantir logo um lar. Comprou, em abril, apartamento novo de dois quartos, na Cidade dos Funcionários. Deu entrada e financiou o resto em sete anos. “Investi porque é uma segurança para quem está começando a vida, mas pretendo quitar em menos tempo”, afirma.
O apartamento de Marcos é um dos 3.903 imóveis novos vendidos no primeiro semestre deste ano, em Fortaleza - número 44,29% maior que o de 2009. O crescimento inédito de 38,58% em volume de vendas representa faturamento de mais de R$ 1 bilhão para o setor imobiliário na Capital, segundo dados divulgados ontem pelo Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis do Ceará (Secovi-CE).
De acordo com a vice-presidente do Secovi, Maria Lúcia Forte, a “alavancada” no setor é resultado do aumento das linhas de crédito e financiamento oferecidos pelos bancos, inclusive os privados, a taxas de juros mais baixas, hoje, em torno de 12%. “Ter um imóvel agora é um grande investimento. O mercado só comemora”, afirma.
Cautela
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Roberto Sérgio Ferreira, diz, no entanto, que é preciso cautela. “A inflação dos insumos está acelerada, aumentando nossos custos. Na ponta, o comprador pode sentir um aumento dos preços dos imóveis”, avalia.
Ele atribui o percentual de 38,58% à recuperação pelo qual passava o mercado no início de 2009, depois da crise financeira mundial, em 2008. “A preocupação é que, se o governo subir mais a taxa de juros (hoje, em 10,75%), os bancos passem a emprestar só para os governos”, avalia Ferreira.
Para o presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Ceará (Creci-CE), Apollo Scherer, o mercado tem é que aproveitar o bom momento, vender mais. “A expectativa é que o setor imobiliário continue aquecido por mais dez anos, por causa da carência de imóveis em Fortaleza, que é em torno de cem mil”, pontua.
O vice-presidente de compra e venda do Secovi, Kalil Otoch, destaca que o crescimento acompanha o mercado, mas concorda com a cautela pedida pelo presidente do Sinduscon. “Temos que ter cuidado para não criarmos uma ‘bolha’, ou seja, que se construam muitos imóveis, que as pessoas comprem e que, no futuro, não consigam vender. É a lei da oferta”.
EMAIS
Os dados do setor imobiliário foram levantados pelo Centro de Pesquisa Estatística e Informação do Mercado (Cenpis), do Secovi, e incluem só imóveis novos do tipo apartamento, casa, sala comercial e sala médica.
Segundo o Cenpis, os apartamentos de dois quartos são os mais procurados (41,29%), seguido pelos de três quartos (34,22%), de quatro quartos (21,73%), de cinco quartos (1,75%) e de um quarto (1,01%).
De acordo com o presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Ceará (Sindimóveis-CE), José Maria Cavalcante, a Caixa Econômica Federal (CEF) era praticamente a única responsável pelas ofertas de financiamento acessível. No primeiro semestre de 2010, no entanto, a participação da Caixa foi de 57%, sendo o restante dos financiamentos ofertados por bancos privados.
NÚMEROS
3.903
É O NÚMERO DE IMÓVEIS NOVOS (UNIDADES) VENDIDOS, NA CAPITAL CEARENSE, SOMENTE NO PRIMEIRO SEMESTRE DESTE ANO
38,58
É O PERCENTUAL DE CRESCIMENTO DO VOLUME DE VENDAS DE IMÓVEIS NOVOS NA CAPITAL, NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2010 EM COMPARAÇÃO AO MESMO PERÍODO DO ANO PASSADO
Fonte: Jornal O Povo
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